Mulheres heterossexuais que fantasiam com outras mulheres. Homens que atingiram o topo da carreira e que fantasiam com cenas de erotismo em que são profundamente humilhados. Estes são apenas dois exemplos de fantasias sexuais que podem levar a que alguém decida que é importante pedir ajuda psicológica. Ou pelo menos enviar um email através do qual, debaixo do anonimato, as dúvidas, os sentimentos de culpa e a angústia possam ser expostos livremente. A pergunta que mais vezes ouço a propósito destas matérias é:
ISTO É NORMAL?
É normal que uma pessoa tenha
fantasias sexuais que incluam violência, mesmo que, no seu dia-a-dia, fosse
incapaz de magoar alguém? É normal que alguém que abomine a infidelidade pense
em cenas eróticas que o(a) envolvam com múltiplos parceiros? É normal que uma
pessoa se excite ao pensar na possibilidade de ser presa, amarrada ou violada?
A verdade é que as fantasias
sexuais não só SÃO NORMAIS como desempenham uma função determinante: fomentam o
desejo e a vontade de nos relacionarmos sexualmente com outra pessoa. Quase
todas as pessoas têm fantasias sexuais – umas mais banais, outras mais
“exóticas”. Estas fantasias não são mais do que construções do nosso cérebro,
que combinam os impulsos sexuais com a imaginação.
No entanto, importa esclarecer
que na maior parte dos casos uma fantasia não passa disso mesmo e o facto de
uma pessoa se excitar com uma cena de erotismo NÃO SIGNIFICA QUE QUEIRA
COLOCÁ-LA EM PRÁTICA. Ainda assim, há muitos casais que recorrem aos
preliminares precisamente para assumir determinados papéis, como se de um filme
se tratasse, acabando por concretizar algumas das suas fantasias. Será que isso
também é normal? É. Pelo menos, na medida em que o façam em segurança e com mútuo consentimento.
Na maior parte dos casos as
fantasias não chegam a ser concretizadas – por medo, por pudor, por desagrado
do cônjuge, por questões morais ou porque pura e simplesmente não seriam
exequíveis. Em muitos casos as fantasias não chegam sequer a ser partilhadas
com o respetivo parceiro – sobretudo por receio dos juízos de valor. E nalguns
casos as fantasias são geridas com muito sofrimento – precisamente porque a
pessoa que guarda para si estes pensamentos vive angustiada com a possibilidade
de não ser normal.
Quando é que é importante pedir ajuda? Sempre que alguém se sinta
atormentando por pensamentos do tipo “Serei normal?”. Mas também quando a
fantasia de um dos membros do casal comprometer a satisfação conjugal e/ou
causar sofrimento ao cônjuge.